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Em
primeiro lugar muito axé aos meus irmãos afro-brasileiros,
irei levar vocês à conhecer a magia e
o encanto do berço de nossa civilização
a nossa Mãe África.
Por: Carlos R. da Silva
África, o terceiro maior continente da Terra,
ocupa, com as ilhas adjacentes, uma superfície de cerca
de 30.330.000 km2 ou 22% do total da massa terrestre.
Ambiente natural
Com
a exceção da costa norte e dos montes Atlas,
o território africano é um planalto vasto e
ondulado, desfigurado por grandes bacias. A África
pode ser dividida em três regiões: o planalto
setentrional, os planaltos central e meridional e as montanhas
do leste. Em geral, a altitude do continente aumenta de noroeste
para sudeste. As faixas litorâneas baixas, com exceção
da costa mediterrânea e da costa da Guiné, são
estreitas e elevam-se bruscamente em direção
ao planalto.
A
característica peculiar do planalto setentrional é
o Saara, que se estende por mais de um quarto do território
africano. Os planaltos central e meridional englobam várias
depressões importantes, em especial a bacia do rio
Congo e o deserto de Kalahari. Outros elementos ao sul do
planalto são as montanhas Drakensberg, na costa a sudeste,
e o Karoo.
As
montanhas orientais, que constituem a parte mais alta do continente,
se prolongam desde o mar Vermelho até o rio Zambeze.
A região tem uma altitude média superior a 1.500
m, embora no planalto etíope aumente gradualmente até
chegar aos 3.000 m. Ao sul do planalto etíope, erguem-se
vários picos vulcânicos, como o monte Kilimanjaro,
o Quênia e o Elgon. Um elemento topográfico característico
é o Rift Valley. A oeste, fica a cordilheira Ruwenzori.
Existem seis importantes redes de drenagem, pontilhadas por
cataratas, como as cataratas Vitória, ou corredeiras
que impedem a navegação.
São
as bacias dos rios Nilo, Congo, Níger, Zambeze, Orange
e a bacia interior do lago Chade, a maior área de drenagem
do continente. Entre os numerosos lagos, destacam-se os de
Turkana, Albert, Tanganica, Malavi e Vitória. Podem-se
distinguir sete zonas climáticas e de vegetação.
No centro do continente e na costa oriental de Madagascar,
o clima e a vegetação são tropicais.
O clima da costa de Guiné assemelha-se ao clima equatorial,
mas tem apenas uma estação de chuvas.
No
norte e no sul, o clima próprio de floresta tropical
é substituído por uma zona de clima tropical
de savana que envolve um-quinto da África. Longe do
equador, ao norte e ao sul, a zona do clima de savana transforma-se
em uma zona de estepe seca.
As
zonas das extremidades noroeste e sudoeste são de clima
mediterrâneo. Nos planaltos elevados da África
meridional, o clima é temperado. A África tem
uma área de clima árido, ou desértico,
maior do que em qualquer outro continente, com exceção
da Austrália. No Saara ao norte, no Chifre da África
ao leste e nos desertos de Kalahari e da Namíbia ao
sudoeste, as precipitações anuais são
inferiores a 250 mm e a vegetação só
aparece nos oásis. No que diz respeito à fauna,
a África apresenta duas zonas diferenciadas. A do norte
e noroeste, que inclui o Saara e carateriza-se por uma fauna
parecida com a da Eurásia (o arruí, o cervo
vermelho africano e dois tipos de íbis são originários
da costa setentrional africana).
A
outra zona é a da África ao sul do Saara, com
uma grande variedade de animais, entre os quais estão
os antílopes, as girafas, os elefantes africanos, os
leões e os leopardos.
A África é riquíssima em recursos minerais.
Possui a maioria dos minerais conhecidos, muitos deles em
quantidades notáveis. Tem grandes jazidas de carvão,
reservas de petróleo e de gás natural bem como
as maiores reservas do mundo de ouro, diamantes, cobre, bauxita,
manganês, níquel, rádio, germânio,
lítio, titânio e fosfato.
População
Na
parte norte do continente, inclusive no Saara, predominam
os povos caucasóides, principalmente berberes e árabes.
Constituem aproximadamente a quarta parte da população
do continente. Ao sul do Saara, predominam os povos negróides,
cerca de 70% da população africana. Na África
meridional, existe uma concentração de povos
khoisan, san (bosquímanos) e khoikhoi (hotentotes).
Os pigmeus concentram-se na bacia do rio Congo e na Tanzânia.
Agrupados
principalmente na África meridional, vivem 5 milhões
de brancos de origem européia. Em meados da década
de 1980, a população total era estimada em 550
milhões, o que equivale a 11% da população
mundial. A densidade demográfica média, cerca
de 18 hab/km2, inclui grandes áreas desérticas
que são praticamente desabitadas. Quando calcula-se
a densidade nas terras produtivas, a densidade aumenta para
até 139 hab/km2. As áreas mais densamente povoadas
são as costas setentrionais e ocidentais, as bacias
dos rios principais e o planalto oriental.
A
taxa de natalidade é de 46%. A de mortalidade caiu
para 17%. A população cresce anualmente em 2,9%
e a metade tem 15 anos de idade ou menos. A população
continua sendo de maioria rural e só um-quinto vive
em cidades com mais de 20.000 habitantes. O crescimento urbano
aumentou muito a partir da década de 1950. O norte
é a zona mais urbanizada.
Na
África, falam-se mais de mil línguas diferentes.
Além do árabe, as mais faladas são o
suaíle e o hauçá. As principais famílias
ou grupos idiomáticos são o congo-cordofanês,
o nilo-saariano, o camito-semítico ou afro-asiático
e o das línguas khoisan. Ver Línguas africanas.
O
cristianismo, a religião mais difundida, e o islamismo
são as principais religiões. Cerca do 15% dos
povos africanos praticam religiões animistas ou locais.
Ver Religião.
Grande parte da atividade cultural africana concentra-se na
família e no grupo étnico. Com a intensificação
do nacionalismo, a cultura tradicional africana teve recentemente
um importante ressurgimento. Ver Literatura africana.
Economia
Em
sua maioria, os africanos são tradicionalmente agricultores
e pastores. A colonização européia aumentou
a demanda externa de determinados produtos agrícolas
e minerais. Para atendê-la, construíram-se sistemas
de comunicação, introduziram-se cultivos e tecnologia
europeus e desenvolveu-se um moderno sistema de economia de
intercâmbio comercial, que continua coexistindo com
a economia de subsistência.
Embora cerca de 60% de toda a terra cultivada seja ocupada
pela agricultura de subsistência, a África produz
e exporta mais da metade da produção mundial
de cacau, mandioca, cravo e pita.
As
fazendas e plantações, propriedades de europeus
e situadas na África oriental e meridional, produzem
cítricos, tabaco e outros produtos alimentares destinados
à exportação. Fora das áreas de
floresta, pratica-se a agropecuária extensiva, mas
raramente com finalidade comercial.
Embora um quarto do território africano seja coberto
por florestas, grande parte da madeira só tem valor
como combustível. Gabão é o maior produtor
de okoumé, um derivado da madeira usado na elaboração
de compensado (madeira em chapa). Costa do Marfim, Libéria,
Gana e Nigéria são os maiores exportadores de
madeira de lei. A pesca interior concentra-se nos lagos do
Rift Valley.
A
pesca marítima, que é muito difundida e voltada
para o consumo local, adquire importância comercial
no Marrocos, na Namíbia e na África do Sul.
A mineração representa a maior receita dentre
os produtos exportados. As indústrias de extração
mineral são o setor mais desenvolvido em boa parte
da economia africana. A África responde por cerca de
um-terço da produção mundial de urânio,
por 20% das reservas mundiais de cobre, 90% do cobalto e três-quartos
do ouro mundial. Além disso, Serra Leoa tem a maior
reserva conhecida de titânio. As minas da África
do Sul e do Zaire produzem praticamente a totalidade das gemas
e dos diamantes industriais do mundo. O grosso da riqueza
mineral é explorado por grandes empresas multinacionais.
A nação mais industrializada é a África
do Sul, embora já tenham sido implantados notáveis
centros industriais no Zimbábue, no Egito e na Argélia.
Em boa parte da África, a manufatura limita-se à
fabricação ou à montagem de bens de consumo.
História
Há aproximadamente 5 milhões de anos, um tipo
de hominídeo habitava o sul e o leste da África.
Há cerca de 1,5 milhão de anos, esse hominídeo
evoluiu para formas mais avançadas: o Homo habilis
e o Homo erectus. O primeiro homem africano, o Homo sapiens,
data de mais de 200.000 anos (ver Hominização).
A população negróide, que dominava a
domesticação de animais e a agricultura, expulsou
os grupos bosquímanos para as zonas mais inóspitas.
No primeiro milênio a.C., o povo banto, um dos grupos
dominantes, começou uma migração que
durou 2.000 anos e povoou a maior parte da África central
e meridional.
A primeira grande civilização africana começou
no vale do Nilo por volta de 5000 a.C. O reino do Egito desenvolveu-se
e influiu nas sociedades mediterrâneas e africanas por
milhares de anos.
Entre
o fim do século III a.C. e início do século
I, Roma conquistou o Egito, Cartago e outras áreas
do norte da África. O império dividiu-se em
duas partes no século IV. Todos os territórios
a oeste da Líbia continuaram pertencendo ao Império
do Ocidente, governado por Roma, enquanto os territórios
a leste, inclusive o Egito, passaram a fazer parte do Império
Bizantino, sob o comando de Constantinopla. No século
V, os vândalos conquistaram grande parte do norte da
África e governaram até o século VI,
quando foram derrotados pelas forças bizantinas e a
área foi absorvida pelo Império do Oriente.
Os exércitos islâmicos invadiram a África
em 623, depois da morte de Maomé, e rapidamente venceram
a resistência bizantina no Egito.
A partir de suas bases no Egito, os árabes invadiram
os reinos berberes do ocidente. Enquanto os berberes do litoral
converteram-se ao islamismo, muitos outros retiraram-se para
os montes Atlas e o interior do Saara.
Os turcos otomanos conquistaram o Egito em 1517 e durante
os 50 anos seguintes estabeleceram um controle aparente sobre
a costa norte-africana.
O
poder real, porém, permaneceu nas mãos dos mamelucos
que governaram o Egito até serem derrotados por Napoleão
em 1798.
Na África ocidental, surgiu uma série de reinos
de população negra cuja base econômica
estava no controle das rotas comerciais transarianas. Ver
Reino de Gana, Império de Mali e Songhai.
A
leste de Songhai, entre o rio Níger e o lago Chad,
surgiram as cidades-estados de Hauçá e o império
de Kanem-Bornu. Ao que parece, o islamismo foi introduzido
nos reinos hauçá no século XIV, a partir
de Kanem-Bornu.
Os
primeiros documentos da história da África oriental,
que aparecem no périplo do mar de Eritréia (c.
100), descrevem a vida comercial da região e seus laços
com o mundo fora da África. Imigrantes indonésios
chegaram a Madagascar durante o primeiro milênio com
novos produtos alimentares, sobretudo a banana, que foi logo
introduzida no continente.
Povos
de fala banto, que se estabeleceram no interior, formaram
reinos tribais e absorveram os povos bosquímanos e
nilóticos que ocupavam as áreas interlacustres,
mais interiores. Os colonos árabes ocuparam a costa
e estabeleceram cidades comerciais. No século XIII,
foram criadas algumas notáveis cidades-estados, voltadas
para o mar, embora o seu impacto político sobre os
povos do interior tenha sido mínimo até o século
XIX.
O
primeiro esforço contínuo dos europeus com relação
à África só veio a partir de dom Henrique
o Navegador, príncipe de Portugal. Depois de 1434,
foram organizadas numerosas expedições e, em
1497-1498, Vasco da Gama contornou o cabo da Boa Esperança
e chegou à Índia.
O
comércio português atraiu os rivais comerciais
europeus, que no século XVI criaram suas próprias
feitorias e enclaves para captar o comércio existente.
Com
o aumento do comércio de escravos para as Américas,
as guerras pelo controle do comércio africano tornaram-se
mais intensas. Durante os quatro séculos de tráfico
de escravos, um número incalculável de africanos
foi vítima desse comércio de vidas humanas (ver
Escravidão). O primeiro reino importante que se beneficiou
com o comércio de escravos foi Benin. No fim do século
XVII, foi substituído pelos reinos de Daomé
e Oio. Em meados do século XVIII, o povo ashanti tornou-se
o maior poder da África ocidental.
O desejo britânico de acabar com o tráfico de
escravos baseava-se nas perspectivas de reorganizar o comércio
africano com vistas a outras exportações, aumentar
a atividade missionária e impor a jurisdição
do Governo britânico sobre propriedades que tinham pertencido
a comerciantes britânicos. Essas ações
levaram-no a assumir a soberania de certos territórios
africanos.
No
fim do século XVIII, o interesse científico
e a busca de novos mercados começou a estimular uma
era de explorações, em que se destacam figuras
como James Bruce, Mungo Park, Heinrich Barth, David Livingstone,
John Haning Speke, James Augustus Grant e Samuel White Baker.
Aos exploradores seguiram, ou em alguns casos precederam,
os missionários cristãos e mais tarde os comerciantes
europeus.
Na Conferência de Berlim (1884-1885), as potências
definiram as suas zonas de influência e a África
ficou praticamente dividida entre elas. Ver Imperialismo.
A II Guerra Mundial enfraqueceu psicológica e fisicamente
as potências coloniais.
A
gangorra do poder internacional pendeu para os Estados Unidos
e a União Soviética, dois estados anticolonialistas.
Na década de 50, o exemplo das novas nações
independentes de outros continentes, as atividades dos movimentos
revolucionários e a efetividade de líderes carismáticos
agilizaram o processo de independência. No fim da década
de 70, quase toda a África havia se tornado independente.
Os jovens Estados africanos enfrentam vários problemas
básicos, como o desenvolvimento econômico, o
neocolonialismo e a incapacidade de se fazerem ouvir nos assuntos
internacionais. A maioria dos Estados africanos é considerada
parte do Terceiro Mundo.
África
As forças tectônicas que separaram a África
da América do Sul há 150 milhões de anos
criaram um continente cuja principal característica
topográfica é um vasto e ondulado planalto.
Os cientistas encontraram na África microorganismos
fósseis de 3.200 milhões de anos, que atestam
uma das primeiras formas de vida existentes na Terra.
Africanas,
Línguas, línguas indígenas do
continente africano. Na África são faladas mais
de mil línguas diferentes. Com exceção
do árabe, que excede o continente, as línguas
mais faladas são o suaili e o haussa que contam, cada
uma, com mais de dez milhões de falantes. Poucas possuem
documentos literários escritos, embora a maioria apresente
ampla tradição de testemunhos orais.
Classificação
das línguas
Classificam-se
em quatro grandes famílias: camito-semítica
ou afro-asiática, nilo-saariana, khoi-san e nigero-kordofana.
Chama-se família de línguas o grupo de idiomas
procedentes de um tronco comum. As famílias se subdividem
em ramos constituídos por línguas próximas
e inter-relacionadas.
Família
camito-semítica
Constitui o grupo mais importante. O árabe, ramo mais
importante, é a língua mais falada no norte
do continente e República do Sudão. O aramaico,
falado por cinco milhões de pessoas, é o idioma
oficial da Etiópia. Entre as línguas semíticas
faladas no norte da África, estão o tigrinia
e o tigré da Eritréia.
O ramo bérbere é falado por quase toda a população
do Marrocos, Argélia e Tunísia, além
dos grupos disseminados pelo norte da África. O ramo
cuchítico está localizado na Etiópia,
Somália, costas do mar Vermelho e inclui o orominga
e o somali. O egípcio antigo, hoje sem descendência
entre as línguas vivas, era desta mesma família
(ver Língua copta). O ramo tchádico se estende
ao norte da Nigéria e a mais importante é a
língua haussa.
Família
nilo-saariana
É falada ao longo de um território que se estende
pelas margens do rio Níger até a Etiópia,
através do vale do alto Nilo e em algumas partes da
Uganda e do Quênia. O membro mais ocidental desta família
é o songhai, falado em grande parte do Alto Níger,
Mali e Níger. O ramo saariano abrange as línguas
do norte da Nigéria, da República do Chade e
de alguns assentamentos da Líbia. O ramo nilo-chadiano
conta com um milhão de falantes no Sudão, norte
do Chade, parte de Uganda e do Quênia, e no limite noroeste
do Congo. As línguas núbias se localizam na
fronteira do sul do Egito, ao longo do alto Nilo.
Família
khoi-san
É formada por línguas que contam com menor número
de falantes, não mais do que cem mil em todo o continente.
São os idiomas falados pelos povos do sul da África,
os san e os kikuius. O mais falado é o nama. A noroeste
da Tanzânia existem duas línguas da mesma família,
a sandawe e a hadza.
Família
nígero-kordofana
Inclui duas subfamílias: a kordofana e a nígero-congolesa.
A primeira abrange cerca de trinta línguas e se localiza
em uma área pequena ao sul do Sudão, nas montanhas
de Nuba. A nígero-congolesa se distribui por quase
todo o continente, ao sul do deserto do Saara.
Em decorrência das migrações, a subfamília
nígero-congolesa fragmentou-se em várias ramos
ao longo de mais de 5.000 anos. As línguas bantos pertencem
a um ramo desta subfamília e as mais conhecidas são
o zulu da África do Sul, o suaili e o sukuma da Tanzânia
e o ruandês de Luanda. Atualmente, começa a ser
conhecida a produção literária dos escritores
das línguas banto.
Outras
famílias lingüísticas
As famílias indo-européia e malaio-polinésia
estão também presentes nos idiomas africanos.
À família indo-européia pertencem o africâner
e inglês, idiomas da República da África
do Sul e do Zimbábue, o francês, falado nas antigas
colônias africanas francesas, e o espanhol da Guiné
e províncias espanholas de Ceuta e Melilla. O malgaxe,
idioma de Madagascar, pertence à família malaio-polinésia.
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