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| Oxum - Ilarorixá Maria Aparecida do Carmo Silva |
Como se sabe, muitas são
as formas existentes de culto no Brasil que se utilizam da denominação
Candomblé. Isto se dá pela grande variedade de etnias de
negros, que reduzidos a condição de escravos, chegaram ao
nosso país. Cada grupo/etnia que aqui aportou pertencia a locais
distintos na África, tendo assim, costumes e culturas diferenciadas.
Assim, portanto, chegaram daometanos, yorubás, congolenses, angolanos,
malês e inúmeros outros grupos, que em terras brasileiras
procuraram manter seus hábitos, sua cultura e também seus
ritos religiosos. Daí surgiram as nações de candomblé,
ou seja, a prática do candomblé conforme ritos específicos
da origem do povo praticante, como a nação de Ketu, a nação
Jêje, a nação Efon, Angola e Kongo ( atualmente, estas
duas últimas, consideram-se fundidas dada a grande semelhança
das prá ticas religiosas e a proximidade das línguas utilizadas,
que são respectivamente, o Kimbundo e o Kikongo). Portanto, cada
nação de candomblé possui características
próprias, que a diferencia das demais. Estas diferenças
se encontram na língua utilizada, nas divindades cultuadas, em
determinadas práticas de caráter sigiloso ( fundamento ),
no modo de se enxergar determinadas questões, enfim, numa série
de fatores distintivos.
Faço abaixo algumas distinções entre a Nação
Angola e outras denominações de candomblé, como a
Nação Jêje e Ketu ( no meu ponto de vista, as mais
conhecidas/difundidas ), para um maior esclarecimento:
A primeira ( e primordial ) diferença entre as citadas nações
de candomblé se encontra com relação as divindades,
objeto do culto. Assim:
Mukixes para os Angolanos*1;
Inkices para os Congolenses;
Orixás para os Yorubás ( Nação Ketu ), e;
Voduns para os Daometanos ( Nação Jêje ).
Outra diferença encontrada, dentre muitas, é a variação
do idioma/língua/dialeto utilizado em cada vertente, assim:
Kimbundo para os Angolanos;
Kikongo para os Congolenses;
Yorubá para os Yorubás, e;
Ewe-fon para os Daometanos.
Distinguem-se ainda pelo próprio rítimo dos atabaques, pelas
denominações que cada nação dá a estes,
ou mesmo pela maneira de tocá-los, assim teremos:
Kongo de Ouro, Barra Vento e Kabula para as tradições Bantu
( Angola e Kongo ), rítimos estes, obtidos através do toque
com as mãos. Sendo denominados, os atabaques, simplesmente de engomas
ou "ngomas"*2.
Ijexá, Igbin, Aguere, Bravum, Opanijé, Alujá, Adahun
e Avamunha para as tradições Yorubás e Daometanas.
As denominações dos atabaques para os últimos ( Jêjes
) são: rum, rumpi e lé ( os atabaques nesta cultura diferem-se
das demais até mesmo no formato, pois são acomodados em
suportes na posição horizontal, diferentemente das demais
tradições); Para os primeiros ( Yorubás ), os atabaques
são chamados genericamente de ilus, sendo tocados com a ajuda de
varetas e não diretamente com as mãos (exceto o Ijexá,
que se utiliza também do toque com as mãos ).
Como todos podem ter observado, as diferenças aqui elencadas são
superficiais devido ao breve espaço que disponho, mas creio, já
servem de alguma forma de ajuda aos mais leigos. Então, gostaria
que ficasse registrado que as diferenças não se esgotam
apenas nesses poucos quesitos, pois existem inúmeras outras, talvez
possa-se até arriscar dizer que existem em maior quantidade que
as semelhanças.
*1- Como já disse num parêntese acima, o termo Nação
Angola hoje em dia é empregado de forma a designar não somente
o rito Angola, mas também o rito originário do Kongo. Porém,
as duas expressões do candomblé bantu também guardam
diferenças, pois enquanto a primeira cultua os mukixes ( termo
derivado Kimbundo que designa as divindades cultuadas em Angola, assim
como orixá, vodum e inkice ) a segunda cultua os inkices ( termo
derivado do Kikongo ). Acho de estrema importância salientar este
tópico, ainda que em observação, pois poucos sabem
estabelecer tal distinção.
*2- Digo aqui simplesmente engoma ou "ngoma", por ser o mais
utilizado nas casas Angola/Kongo, porém existem denominações
específicas para cada atabaque.
Fonte: Carlos R. da Silva, web-design, teólogo, design gráfco.
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