HOME


     
 

Besouro Cordão De Ouro

   
 
   

O Destaque Negro  __ no intuito de primar cada vez mais , por sua responsabilidade de fazer-se vitrine dos conhecimentos oriundos da cultura Afro __  amplia  suas diretrizes  no sentido de efervescer consciências  , através de trabalhos cinematográficos  dignos de aqui serem exaltados por nós  , por traduzirem  espetacularmente a essência da luta de magníficos heróis e heroínas da causa negra... Ancestrais que fizeram de suas histórias, marcos que  redesenharam a definição da palavra  luta...
Precursores  e ancestrais grandiosos , que  gestaram descendentes capazes de desarmarem preconceitos  através do pensamento consciente  e  do diálogo democráticos...
Houve entretanto uma época em que se era necessário dançar para não se esquecer dos próprios sonhos... Sonhos de uma liberdade que Mestre Alípio e seu discipulo sonharam , através de uma dança que alegrava e rememoravam épocas em que milhares de homens e mulheres foram arrancados de sua pátria mãe , onde   reinavam livres e soberanos.
Uma dança subestimada pelos adversários mas que trazia em si o signo da defesa da vida de seus guerreiros...
Hoje a dança tornou-se "patrimônio cultural brasileiro" , e os que a dançam o fazem para comemorar seus ancestrais  e rememorarem suas lutas... Lutas que os ensinaram a caminhar, e disseminaram discípulos mundo afora...
Na atualidade a comunidade outrora defendida com a luta e o próprio corpo , concentraram-se  se em consciências alimentadas pela cultura dos que nos ensinaram passos que nos conduzem a nós mesmos... Consciências  que se tornam "armas letais" , quando empunhadas por mãos que manuseiam um pequeno instrumento , pelo o qual combatemos na atualidade: uma caneta !

 
   


Para muitos um objeto simples do cotidiâno , mas para os descendentes destes heróis, heroínas e martires da causa negra , uma "espada" cuja escrita traduz todo o orgulho de uma raça e seus esforços para preservarem sua história.
Aqui nos somamos aos que repovoam o mundo com os sonhos de liberdade e de uma pátria justa , tal como os que competentemente o fizeram antes de nós.
O Destaque Negro parabeniza a sétima arte pela veracidade , delicadeza e sobretudo imparcialidade com que retratam nossos heróis e heroínas do passado e do presente ; e a Cinemateca Destaque Negro é mais um recurso ao qual nos reportamos , com o objetivo de aproximar cada vez mais a comunidade negra dos heróis que a configuram enquanto grandiosos povo!
Todo mês indicaremos um filme , nacional e internacional , uma vez que o herói não se detém a esta ou aquela regionalidade... O herói pertence a humanidade!

Fonte: Psicóloga Ana Rosa Faria

 
História
Quando Manoel Henrique Pereira nasceu, não havia nem dez anos que o Brasil tinha sido o último país do mundo a libertar seus escravos.

Naqueles tempos pós-abolição nossos negros continuavam tão alijados da sociedade que muitos deles ainda se questionavam se a liberdade tinha sido, de fato, um bom negócio. Afinal, antes de 1888 eles não eram cidadãos, mas tinham comida e casa para morar. Após a abolição, criou-se um imenso contingente de brasileiros livres, porém desempregados e sem-teto. A maioria sem preparo para trabalhar em outros serviços além daqueles mesmos que já realizavam na época da escravatura. E quase todos ainda sem a plena consciência de sua cidadania. O resultado desse quadro, principalmente nas regiões rurais, onde estavam os engenhos de açúcar e plantações de café, foi o surgimento de um grande contingente de negros libertos que continuavam, mesmo anos após a abolição, submetendo-se aos abusos e desmandos perpetrados por fazendeiros e senhores de engenho.

Assim era sociedade rural brasileira de 1897, ano em que Manoel Henrique Pereira, filho dos ex-escravos João Grosso e Maria Haifa, nasceu na cidade de Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo Baiano.

Vinte anos depois, Manoel já era muito mais conhecido na cidade como Besouro Mangangá - ou Besouro Cordão de Ouro -, um jovem forte e corajoso, que não sabia ler nem escrever, mas que jogava capoeira como ninguém e não levava desaforo para casa. Como quase todos os negros de Santo Amaro na época, vivia em função das fazendas da região, trabalhando na roça de cana dos engenhos. Mas, ao contrário da maioria, ele não tinha medo dos patrões. E foram justamente os atritos com seus empregadores - e posteriormente com a polícia - que deixaram Besouro conhecido e começaram a escrever a sua imortalidade na cultura negra brasileira.

Há poucos registros oficiais sobre sua trajetória, mas é de se supor que a postura pouco subserviente do capoeirista tenha sido interpretada pelas autoridades da época como uma verdadeira subversão. Não por acaso, constam nas histórias sobre ele episódios de brigas grandiosas com a polícia, nas quais ele sempre se saía melhor, mesmo quando enfrentava as balas de peito aberto. Relatos de fugas espetaculares, muitas vezes inexplicáveis, deram origem a seu principal apelido: Mangangá é uma denominação regional para um tipo de besouro que produz uma dolorosa ferroada. O capoeirista era, portanto, "aquele que batia e depois sumia". E sumia como? Voando, diziam as pessoas...

Histórias como essas, verdadeiras ou não, foram aos poucos construindo a fama de Besouro. Que se tornou um mito - e um símbolo da luta pelo reconhecimento da cultura negra no Brasil - nos anos que se sucederam à sua morte.

Morte que ocorreu, também, num episódio cercado de controvérsias. Sabe-se que ele foi esfaqueado, após uma briga com empregados de uma fazenda. Registros policiais de Santo Amaro indicam que ele foi vítima de uma emboscada preparada pelo filho de um fazendeiro, de quem era desafeto. Já a lenda reza que Besouro só morreu porque foi atingido por uma faca de ticum, madeira nobre e dura, tida no universo das religiões afro-brasileiras como a única capaz de matar um homem de "corpo fechado".

E Besouro, o mito, certamente era um desses.

Elenco
• Besouro (Ailton Carmo)
• Dinorá (Jessica Barbosa)  
• Quero-quero (Anderson Santos de Jesus)  
• Coronel Venâncio (Flavio Rocha)  
• Noca de Antonia (Irandhir Santos)  
• Genival (Servílio de Holanda)  
• Exu (Sergio Laurentino)  
• Cobra criada (Nilton Junior)  
• Chico Canoa (Leno Sacramento)  
• Teresa (Chris Vianna)  
• Macalé (Mestre Alípio)  
• Oxum (Adriana Alves) 
• Zulmira (Geisa Costa)

Entrevista de João Daniel Tikhomiroff

Direção
Apesar da sólida carreira publicitária, a formação de João Daniel Tikhomiroff é baseada no cinema de ficção. Filho de Daniel Michael Tikhomiroff, que foi diretor da Universal Pictures no Brasil, João cresceu praticamente dentro de uma sala escura. Mal saído da adolescência, já tinha no currículo a assistência de direção em vários longas brasileiros, e aos 19 anos dirigiu ele mesmo seu primeiro documentário. Quis o destino, porém, que João enveredasse pela direção publicitária, deixando de lado por muitos anos o sonho de realizar seu primeiro longa-metragem. Sonho que ele finalmente realiza agora, com a produção de Besouro.

 

Destaque Negro...Nossa Meta É Educação , Cultura E O Exercício Pleno Da Consciência E Cidadania Negras!!!

 
 
 


Direitos Reservados ao Destaque Negro - Desenvolvido pelo Web-Desing Carlos R. da Silva (12) 3027-0804